
O senador Alessandro Vieira (MDB) afirmou que o caso do Banco Master possui características de crime organizado e demonstra uma grave “infiltração nos Três Poderes” da República. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta quarta-feira (28), o parlamentar declarou que a estrutura do esquema indica a influência de criminosos nas altas esferas do Estado, exigindo uma resposta imediata do Legislativo.
“Todas as vezes que você tem esquema criminoso dessa magnitude, com bilhões e bilhões de reais, você vai ter infiltração de gente poderosa nos Três Poderes. Não tem como ter o crime organizado rodando sem ter parceria dentro do poder público. E isso vai estar demonstrado na movimentação financeira”, afirmou o senador, que é relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
“Supostamente, só o Master teria movimentado quase R$ 1 bilhão em dois anos em pagamentos por supostas consultorias jurídicas. Esse método de transferência de recursos é muito ligado a atividades de lavagem de dinheiro. Portanto, temos que ter uma apuração criteriosa, séria, responsável, mas que aponte com clareza qual foi a conduta de cada um envolvido, e isso inclui os ministros”, acrescentou.
Segundo Vieira, o objetivo de uma nova CPI sobre o banco Master deve ser elucidar a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e ministros da Suprema Corte. “A CPI é avançar na investigação que não vem sendo tocada”, disse o senador.
Ele ainda citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do ex-ministro Ricardo Lewandowski. “O modus operandi do caso é muito claro: a proximidade com políticos, com magistrados, especialmente na Suprema Corte. Nós já temos indicativos de transições financeiras relevantes com três ministros: ex-ministro Lewandowski, Alexandre (de Moraes) e Dias Toffoli. A gente não pode fazer condenação antecipada, mas precisamos elucidar esses casos”.
Para o senador, o foco da apuração não deve ser apenas os depoimentos, mas sim a quebra de sigilos e a análise de dados técnicos. Ele questionou o pagamento de cerca de R$ 130 milhões realizado pelo Banco Master a um escritório de advocacia ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, bem como a interação de fundos do banco em transações imobiliárias envolvendo familiares de Dias Toffoli.
Papel do Senado
Alessandro Vieira defendeu que o Senado é o foro constitucional adequado para investigar condutas de ministros do STF, argumentando que uma democracia não pode ter “pessoas intocáveis”. Ele cobrou transparência dos demais senadores, lembrando que as votações para medidas investigativas são públicas e que cada parlamentar terá de explicar seus posicionamentos à sociedade.
“Qualquer iniciativa de investigação tem que ter apoio, suporte e incentivo. São fatos muito graves. Nós estamos falando de dezenas de bilhões de reais que foram roubados e serão pagos pelo poder público, ou seja, por todos nós”, concluiu.
CPI do Banco Master é consenso no Congresso
Apesar dos esforços do núcleo duro do governo para se distanciar da crise envolvendo o Banco Master e evitar desgaste político em ano eleitoral, o tema tem avançado no Congresso com o apoio de parlamentares ligados à base governista.
O colunista da Jovem Pan Bruno Pinheiro apurou que congressistas de diferentes partidos, do PT ao PL, têm defendido a abertura de investigação pelo Congresso Nacional.
No Senado, a defesa da apuração tem sido encampada por parlamentares do MDB, partido que integra a base do governo. O senador Eduardo Braga (MDB) afirmou não acreditar que o pedido de instalação de uma CPI perderá fôlego.
“Não acredito que esse caso perderá força! Maior escândalo do setor bancário do Brasil não pode deixar de ser investigado com toda a transparência”, disse Braga.
Também do MDB, o senador Veneziano Vital do Rêgo sinalizou o interesse em aprofundar a apuração dos fatos. “Tomara que avance.” Questionado sobre a possibilidade de uma CPMI revelar o envolvimento de nomes do Congresso, respondeu que “possivelmente”.
Na Câmara dos Deputados, além de parlamentares da oposição, aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também têm defendido a investigação do escândalo bancário. O deputado Reginaldo Lopes (PT) afirmou que a CPI do Banco Master é “inevitável.”
Ainda nesta quarta-feira, o senador Izalci Lucas (PL) afirmou à coluna que a pressão para a instalação do colegiado será elevada. “Ganhará muita força. A pressão será imensa para instalação imediata”, disse Izalci.
Apesar do interesse manifestado por parlamentares de ambos os lados do espectro político, a principal dificuldade deverá ser a convocação dos envolvidos para prestar depoimento. Integrantes da base governista apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém fortes ligações com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já a oposição sustenta haver indícios de que integrantes do governo, ministros do STF e outras autoridades do sistema financeiro tinham conhecimento do caso.
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