
Chegou ao fim a primeira rodada de negociações entre russos e ucranianos para pôr fim à guerra, com a mediação dos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, informaram neste sábado (24) as agências russas.
“As conversas foram concluídas”, disse uma fonte à agência de notícias russa TASS, descartando a possibilidade de que esta rodada pudesse continuar horas mais tarde.
A delegação russa voltou ao hotel após quase três horas de conversas a portas fechadas sobre o controle da região do Donbass e medidas de segurança ao final da guerra.
Uma fonte comentou à agência russa que “não se pode dizer” que não houve resultados, pois “eles existem”, embora não tenha especificado nada. A mesma fonte também destacou que “há possibilidades” de que a segunda rodada seja realizada nos próximos dias.
Por sua vez, delegados ucranianos informaram ao portal Axios que a reunião havia sido “construtiva” e “positiva”, destacaram que houve resultados, sem especificar quais, e adiantaram que as negociações continuarão na próxima semana.
Segundo um funcionário americano que descreveu os encontros como “otimistas e positivos”, os negociadores retornarão aos Emirados Árabes Unidos para a próxima rodada em 1º de fevereiro.
Essa fonte, falando sob anonimato, afirmou que autoridades russas e ucranianas provavelmente precisariam de novas conversas na Rússia ou na Ucrânia antes de Zelenski se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin, ou mesmo ter uma sessão conjunta com o presidente Donald Trump.
Conforme informado anteriormente por uma fonte à TASS, russos e ucranianos estudaram neste sábado vários documentos sobre “território, garantias (de segurança) e outros aspectos” do acordo pacífico do conflito.
Ambos os lados e os mediadores reconheceram durante a jornada de sexta-feira (23) que a retirada das tropas ucranianas do Donbass é o principal obstáculo nas negociações trilaterais.
“Esta questão continua sendo a mais complexa. Para a Rússia, é importante a retirada do Exército ucraniano do Donbass. Para isso, estão sendo considerados diferentes parâmetros de segurança”, disse uma fonte oficial à TASS.
A Rússia se opõe categoricamente ao envio de tropas ocidentais ao território do país vizinho, enquanto Kiev exige garantias que obriguem os EUA e seus aliados europeus a defendê-la em caso de uma nova agressão russa, em conformidade com o artigo 5º da Otan.
O presidente russo, Vladimir Putin, aprovou a realização de negociações trilaterais em Abu Dhabi após se reunir na madrugada de sexta-feira com os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner.
Enquanto isso, o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez o mesmo após se reunir na quinta-feira com o presidente dos EUA, Donald Trump, no âmbito do Fórum Econômico Mundial de Davos.
A delegação da Rússia, que havia prometido elevar o nível de representação de sua equipe liderada nas três reuniões bilaterais anteriores por um assessor presidencial, é liderada pelo almirante Ígor Kostiukov, “número dois” do Estado-Maior e chefe da inteligência militar, e inclui apenas militares, de acordo com o Kremlin.
Já a delegação ucraniana é composta, entre outros, pelo chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kyrylo Budanov; pelo líder do grupo parlamentar do partido de Zelensky, David Arajamia; e pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov.
*com informações da EFE e do Estadão Conteúdo
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