
António José Seguro, socialista, é o favorito no segundo turno das eleições presidenciais portuguesas deste domingo (8), onde enfrenta André Ventura, líder de um partido de extrema-direita que se tornou a segunda maior força política do país.
Desde a vitória de Seguro no primeiro turno, a campanha eleitoral foi completamente afetada pelas fortes tempestades que atingiram Portugal nas últimas duas semanas, obrigando pelo menos 14 dos círculos eleitorais mais afetados a adiar a votação por uma semana.
Contrariando os desejos de Ventura, que preferia um adiamento a nível nacional, não previsto em lei, as eleições cruciais, que envolvem 11 milhões de cidadãos portugueses no país e no estrangeiro, realizam-se neste domingo, com os resultados a serem anunciados à noite, com base nas projeções das sondagens à boca das urnas, às 20h00, hora local (17h00 no horário de Brasília).
“Estou confiante de que tudo o que for necessário será feito para garantir a segurança e a normalidade do processo eleitoral”, declarou o primeiro-ministro Luís Montenegro no sábado (7).
Embora o papel do chefe de Estado português seja principalmente simbólico, espera-se que ele atue como árbitro em tempos de crise e tenha o poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas.
Seguro, um político experiente de 63 anos que, no entanto, passou a última década fora dos holofotes, tinha 67% das intenções de voto, segundo uma sondagem recente publicada na quarta-feira (4).
Ventura, um deputado de 43 anos, poderia, portanto, obter 33% dos votos, de acordo com a mesma sondagem.
Abstenção como ‘grande rival’
Embora esta antecipada vitória já o fizesse temer uma desmobilização do eleitorado para este segundo turno, o mau tempo dos últimos dias levou o candidato socialista a identificar a abstenção como a sua “maior rival”.
“Temos de ir votar no domingo”, insistiu ele na sexta-feira (5) à noite durante o seu último comício de campanha, depois de ter afirmado repetidamente que o país acordaria na segunda-feira (9) “num pesadelo” se o candidato da extrema-direita vencesse. “Há quem esteja fazendo todo o possível para impedir que os portugueses votem”, declarou, aludindo ao pedido de adiamento feito por Ventura.
O presidente do partido anti-establishment Chega, que promete uma “ruptura” com os partidos que governaram Portugal nos últimos 50 anos, queixou-se de ter de fazer campanha num cenário de “todos contra um”, o que tornou a sua eleição “muito mais difícil”.
O Seguro venceu a primeira volta há três semanas com 31,1% dos votos e, desde então, garantiu o apoio de diversas figuras políticas da extrema-esquerda, do centro e até da direita, embora não o do primeiro-ministro Luís Montenegro.
‘O verdadeiro líder da direita’
O chefe do governo minoritário de direita, que no Parlamento ora se apoia nos socialistas, ora na extrema-direita, recusou-se a dar uma orientação de voto para a segunda volta após a eliminação do candidato apoiado pelo seu partido.
Ventura, por sua vez, já ultrapassou mais um obstáculo ao se qualificar para o segundo turno com 23,5% dos votos, confirmando assim o avanço eleitoral do Chega, partido que se tornou a principal força de oposição após as eleições legislativas de maio de 2015.
Essa figura da extrema-direita busca “consolidar sua base eleitoral”, mas também “se estabelecer como o verdadeiro líder da direita portuguesa”, explicou à AFP José Santana Pereira, professor de Ciência Política do Instituto Tecnológico da Universidade de Lisboa (ISCTE).
O próximo presidente sucederá o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupou o cargo por dez anos, no início de março.
*Com informações da AFP
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