
Morreu nesta terça-feira (3), no Rio Grande do Sul, o Frei Sérgio Görgen, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) entre os anos de 2002 e 2006. O religioso e militante da luta camponesa, que havia completado 70 anos no último dia 29, faleceu em decorrência de um infarto.
Natural do estado gaúcho, Frei Sérgio dedicou sua vida à política das populações do campo e também à organização social. Sua trajetória também foi marcada por ter sido dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
Em nota, o MPA lamentou a perda, destacando que o frade foi um “intelectual orgânico” e um pastor próximo ao povo. “Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, afirmou o movimento.
Além das atuações política e religiosa, Frei Sérgio tinha relação com a comunicação. Em 2018, esteve à frente da fundação do jornal Brasil de Fato no Rio Grande do Sul. Kátia Marko, editora-chefe da publicação no estado, recorda que o frade era um “visionário” e um comunicador popular que sabia dialogar com a sociedade.
Nas redes sociais, João Pedro Stedile, liderança do MST e amigo de longa data, manifestou seu pesar. “Perdi um camarada de 40 anos de luta. Enfrentamos juntos muitas batalhas, algumas perdemos, mas sempre vencemos com o povo organizado”, escreveu Stedile.
Resistência
A vida de Frei Sérgio inclui momentos de manifestação. Ele utilizou greves de fome como forma de protesto em diversas ocasiões: nos anos 1990, por crédito agrícola; em 2017, contra a Reforma da Previdência; e em 2018, em atos em Brasília.
O frade também foi sobrevivente do conflito na Fazenda Santa Elmira, ocorrido em 1989, em Salto do Jacuí (RS). O episódio envolveu uma reintegração de posse com forte ação policial. Apesar da violência do caso, que resultou em dezenas de feridos e presos, Frei Sérgio relatou em entrevista posterior que, “quase milagrosamente”, não houve mortes no local.
Com 50 anos de vida religiosa, ele defendia uma fé ativa na sociedade. Em entrevista concedida no ano passado, afirmou que “a religião não começa quando a gente bota o pé para dentro da igreja, mas ela começa quando a gente esteve na igreja e bota o pé para fora”.
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