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​Lula recebeu Vorcaro em dezembro de 2024 fora da agenda

​Lula recebeu Vorcaro em dezembro de 2024 fora da agenda

Reunião foi articulada por Guido Mantega e contou com a presença de presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo

design-sem-nome-4-4-750x450 ​Lula recebeu Vorcaro em dezembro de 2024 fora da agenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em dezembro de 2024, fora da agenda presidencial. Na reunião também estava presente o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e foi articulada por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda na gestão de Dilma Rousseff (PT). Vorcaro teria chegado no encontro acompanhado do ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima.

A informação foi inicialmente divulgada pelo ‘Metrópoles’ e confirmada pela Jovem Pan. Conforme apurado pela Jovem Pan, no encontro, Lula ouviu relatos sobre a situação operacional do Banco Master e pediu para Vorcaro procurar o Banco Central, por se tratar de questões técnicas.

Lula não é a primeira autoridade e ter se encontrado com Vorcaro. O dono do Banco Master conversou mais de uma vez com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da companhia ao BRB (Banco de Brasília). A Jovem Pan teve a cesso a transcrição do depoimento de Vorcaro dado em 30 dezembro à delegada da PF responsável pelo inquérito sobre suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo banco estatal.

No depoimento, Vorcaro foi questionado quais outros políticos teria recebido em sua casa. Ele respondeu que possui “amigos em todos os poderes” e que não era capaz de nomear individualmente todos que visitaram sua casa, contudo, garantiu que, além de Ibaneis, não havia conversado com mais nenhuma autoridade pública sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB. “Além do governador que eu já mencionei e das autoridades do Banco Central, nenhuma”, disse no depoimento.

A divulgação do suposto envolvimento de Ibaneis com o caso do Banco Master, fez com que a oposição protocolasse um pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal.

Entenda o caso

As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e PF.

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.

A PF também quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do STF.

As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, que há elementos suficientes que apontam para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.’”, argumentou Toffoli.

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