
Durante a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada em Salvador, o presidente Lula fez um discurso de cobranças e autocrítica. O petista afirmou que “as brigas internas acabaram com o PT”, ao questionar a perda de espaço nos municípios e cobrar que a sigla pare de “perseguir o erro”.
Lula questionou o atual tamanho da governança do partido, citando o cenário em São Paulo, e alertou que a sigla não pode “continuar perseguindo o erro”. O presidente afirmou que o foco deve ser o fortalecimento da instituição partidária, e não apenas de sua figura pessoal: “Não é o Lula que tem que ser forte. É o partido que tem que ser forte”.
De acordo com Lula, a principal necessidade do PT é retomar o contato direto com a população mais pobre. “O PT precisa ir para a periferia conversar com o povo”, afirmou. Ele destacou também a importância de dialogar com o grupo evangélico, ressaltando que 90% desse público recebe benefícios do governo. “Nós não precisamos esperar o pastor falar bem de nós. Nós precisamos ir lá”, completou.
Resultados de seu governo
Para defender os resultados de seu atual mandato, o presidente citou a queda da inflação, a alta na Bolsa de Valores e o aumento real do salário mínimo. Ele propôs uma comparação entre os três anos de seu governo atual e os sete anos anteriores (gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro), classificando o período anterior como “golpe”.
Sobre as próximas eleições, Lula afirmou que a vitória dependerá da “narrativa política” e do combate às notícias falsas. “Essa campanha tem que começar com a verdade derrotando a mentira. Temos que escrachar cada mentira que eles contarem”, disse.
Crítica ao orçamento
Lula aproveitou a celebração para criticar o orçamento secreto. O petista classificou o mecanismo como um “sequestro do orçamento do executivo”, mencionando valores próximos a R$ 60 bilhões neste ano. Contudo, o presidente lamentou a postura de sua própria base: “O mais triste é que o PT votou a favor”.
Apesar das críticas, Lula defendeu a manutenção das instituições democráticas e afirmou que a política exige tática e negociação. “Não temos que escolher se a gente quer ganhar ou se a gente quer perder”, ponderou, reconhecendo que o partido não tem hegemonia em todos os estados.
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