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​EUA ameaça retomar guerra com o Irã em meio a negociações estagnadas

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De Volta à Raiz🌿
Última atualização: 30/05/2026
​EUA ameaça retomar guerra com o Irã em meio a negociações estagnadas
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Os Estados Unidos asseguraram neste sábado (30) que têm os meios para retomar a guerra contra o Irã, após insistirem que qualquer acordo de paz só será possível se suas “linhas vermelhas” forem respeitadas.

Teerã e Washington estão há semanas envolvidos em negociações indiretas com o objetivo de pôr fim de forma duradoura à guerra no Oriente Médio, mas o desfecho é incerto, especialmente após os confrontos desta semana, os mais graves desde a entrada em vigor de uma trégua em 8 de abril.

Fontes em Washington mencionaram na quinta-feira uma estrutura de acordo com uma prorrogação de 60 dias do cessar-fogo, mas as negociações continuam emperradas.

“O Irã deve aceitar que nunca terá armas nucleares”, escreveu na sexta-feira o presidente Donald Trump em sua rede Truth Social. Ele também exigiu que os estoques de urânio altamente enriquecido da república islâmica sejam “DESTRUÍDOS“.

Estados Unidos e Israel, cujo ataque conjunto de 28 de fevereiro contra o Irã desencadeou a guerra, acusam Teerã de querer obter a arma atômica, algo que o país nega. O Irã insiste em tratar da questão nuclear após a assinatura do protocolo de acordo atualmente em discussão.

Teerã também pede o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados pelos Estados Unidos. A emissora estatal Irib iraniana afirmou neste sábado que um esboço “não oficial” do memorando de entendimento com os Estados Unidos incluía a liberação de 12 bilhões de dólares (R$ 60,7 bilhões) em ativos congelados.

A Casa Branca havia rejeitado anteriormente tais alegações, qualificando-as como uma “invenção”.

Abertura de Ormuz

Outro ponto de atrito é o Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o comércio mundial de hidrocarbonetos, que o Irã mantém praticamente bloqueada desde o início da guerra. “Deve ser aberto imediatamente“, e Teerã deve se comprometer a desminá-lo, afirmou Trump na sexta-feira, enquanto seu governo impõe, por sua vez, um bloqueio aos portos iranianos.

Segundo marinheiros iranianos citados pela agência de notícias Tasnim, os Estados Unidos ainda impedem a circulação de navios comerciais iranianos. Um funcionário da Casa Branca declarou à AFP na sexta-feira que “o presidente Trump só fará um acordo que seja bom para os Estados Unidos e respeite suas linhas vermelhas”.

Em resposta a Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, indicou que “as trocas de mensagens continuam” com os Estados Unidos. Ele também defendeu “a situação especial” do Estreito de Ormuz, por estar localizado em águas territoriais do Irã e de Omã. Por esse motivo, o parlamentar iraniano Alireza Salimi declarou à agência de notícias Isna que apenas Irã e Omã estão “habilitados a decidir” sobre sua gestão.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, advertiu neste sábado que seu país é “mais do que capaz” de retomar as hostilidades contra o Irã “se isso for necessário”. “Nossas reservas são mais do que adequadas para isso, tanto lá quanto em todo o mundo, devido à forma como equilibramos munição de alta precisão e munição mais abundante“, declarou durante um fórum em Singapura.

Frente no Líbano

O chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, considerou, por sua vez, em uma entrevista publicada neste sábado pelo jornal japonês Nikkei, que um acordo estava “mais próximo do que nunca”. Diante do “imenso impacto internacional (…)” do bloqueio do Estreito de Ormuz, a solução dessa questão é “prioritária em relação aos temas nucleares“, afirmou.

A guerra causou milhares de mortes e abala a economia mundial ao elevar os preços do petróleo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) alertaram na sexta-feira para o risco de escassez de petróleo.

Entre suas exigências a Washington, o Irã também reivindica o fim dos combates no Líbano, onde, desde 2 de março, se enfrentam seu aliado, o movimento islamista xiita Hezbollah, e Israel.

Israel voltou a bombardear neste sábado o sul do Líbano, e seu exército continua avançando em território libanês, apesar de um cessar-fogo teoricamente em vigor desde 17 de abril e das conversas realizadas na véspera em Washington.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou a “perigosa e sem precedentes escalada” de Israel, que acusou de aplicar “uma política de terra arrasada e de punição coletiva”. No entanto, defendeu a decisão das autoridades de iniciar negociações com Israel — às quais o grupo pró-iraniano Hezbollah se opõe — afirmando que se trata do “caminho menos custoso” para o país.

Autoridades militares dos dois países reuniram-se na sexta-feira em Washington, como prelúdio, segundo o Pentágono, para uma nova rodada de negociações, nos dias 2 e 3 de junho, com vistas a um acordo de segurança.

Segundo o último balanço oficial, os ataques israelenses causaram a morte de 3.371 pessoas no Líbano desde o início da guerra.

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