
O Irã atravessa um período de instabilidade política e econômica marcado por inflação elevada, forte desvalorização do rial e manifestações de rua que se intensificaram no final do ano passado. Abaixo, entenda o que tem levado o país a viver um dos momentos mais tensos de sua história.
Desempenho econômico em queda
A moeda iraniana perdeu mais de 40% de seu valor desde 2025, chegando a registrar US$ 1 = 1,5 milhão de rials. A inflação anual superou 42%, com alimentos subindo em média 72%. Estimativas internacionais indicam retração de 1,7% do PIB em 2025, com previsão de nova queda de 2,8% em 2026.
Entre os fatores citados para o agravamento econômico estão sanções internacionais, dependência do petróleo, baixos níveis de diversificação produtiva e denúncias de má gestão e corrupção estatal.
Protestos
Desde 28 de dezembro, múltiplas cidades registram manifestações. Até o momento, cerca de 10 mil detenções e 544 mortos foram registrados. Foram relatados também episódios de incêndio a mesquitas, destruição de símbolos religiosos e confrontos entre manifestantes e forças de segurança. O país enfrentou ainda um apagão digital de mais de três dias, com bloqueio de acesso à internet.
A tensão gerou troca de ameaças com os Estados Unidos e ampliou o clima de instabilidade regional.
Contexto histórico
A crise atual se insere em um ciclo iniciado após a Revolução de 1979, que derrubou a monarquia e instituiu o regime teocrático xiita. Desde então, o Irã vive sob liderança dos aiatolás, com períodos de endurecimento político e crescente antagonismo com potências ocidentais.
O momento atual é marcado por uma mudança geracional, na qual grande parte da população nasceu após a revolução e não compartilha dos mesmos valores do regime. Internamente, observadores apontam fragmentação entre setores conservadores e grupos mais moderados, além de intensificação da repressão.
Isolamento diplomático
O país enfrenta isolamento internacional mais profundo, acentuado após o conflito com Israel no ano passado. A continuidade das sanções e a deterioração das relações externas contribuem para restringir o acesso a mercados, investimentos e tecnologia.
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