
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornará ao Panamá 15 anos após sua última visita ao país centro-americano, levando em sua agenda um acordo para impulsionar o comércio bilateral e tendo como pano de fundo seu apoio à soberania do Canal interoceânico, além do esperado julgamento panamenho sobre o escândalo de subornos da Odebrecht.
Lula é o convidado de honra da segunda edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, batizado como o “Davos latino-americano”, que começa nesta quarta-feira com a presença de oito governantes da região e a tarefa de repensar o posicionamento do continente no mundo.
A última vez que Lula visitou o Panamá foi em maio de 2011, quando, já como ex-presidente, participou como convidado do então governante Ricardo Martinelli (2009-2014) na inauguração da segunda fase da orla marítima da capital panamenha, conhecida como Cinta Costera – uma das obras da construtora brasileira investigada por subornos e superfaturamento.
Sua primeira visita oficial ao país como presidente ocorreu em 2007, durante o governo de Martín Torrijos (2004-2009), para promover a cooperação em infraestrutura e biocombustíveis.
Canal do Panamá e a soberania panamenha
Na avaliação do analista panamenho Rodrigo Noriega, a visita de Lula demonstra a aproximação da gestão do presidente panamenho, José Raúl Mulino, ao “apadrinhamento brasileiro” como forma de obter respaldo internacional à causa da soberania do país.
O presidente da maior potência sul-americana anunciou em agosto do ano passado a adesão do Brasil ao Tratado de Neutralidade do Canal, em um momento de tensão entre Panamá e EUA pela intenção manifesta de Donald Trump de “recuperar” a via devido a uma suposta influência chinesa.
A alegação é rejeitada por Mulino, que exigiu que o país não fosse envolvido na disputa geopolítica entre Washington e Pequim.
Os Estados Unidos construíram o Canal no início do século XX e o operaram por mais de oito décadas, até sua transferência para o Panamá em 31 de dezembro de 1999.
A via é regida por um Tratado de Neutralidade vigente desde 1979, assinado por mais de 40 Estados.
A coincidência com o julgamento da Odebrecht
Esta visita oficial de Lula coincide com o julgamento do caso Odebrecht, iniciado no último dia 12 de janeiro após ter sido adiado pelo menos seis vezes desde 2023.
O processo envolve cerca de 20 réus, incluindo o ex-presidente Martinelli – atualmente asilado na Colômbia – e vários ex-ministros de seu governo.
“O fato de Lula ser presidente e estar percorrendo o mundo, somado ao fato de o Panamá ser o último país a realizar o julgamento do caso Odebrecht, tem no fundo a mesma razão: a impunidade da classe política latino-americana”, comentou Noriega à Agência EFE.
O analista ressaltou que o governo Lula tem se negado a cooperar com a Justiça panamenha nas notificações de testemunhas-chave do caso, opinando que ao líder brasileiro “não interessa que haja justiça nem no Brasil, nem no Panamá”.
A Odebrecht pagou mais de US$ 80 milhões a funcionários e particulares no Panamá, segundo confissões de André Rabello, que dirigiu as operações da construtora no país por vários anos.
Impulso ao comércio bilateral
Coincidindo com a visita de Lula, Brasil e Panamá assinarão um “acordo de cooperação e facilitação de investimentos” para promover fluxos de capitais em ambas as direções, conforme detalhou o Itamaraty.
A secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gisela Padovan, destacou que a relação bilateral vive um momento de “muito dinamismo”, lembrando que Lula e Mulino já se encontraram cinco vezes desde 2024 e que o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 78% no último ano.
*Com informações da EFE
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