
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse a repórteres nesta terça-feira (20) que o território se prepara para uma possível invasão dos EUA, com tropas da Dinamarca e algumas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) . Ele afirmou que “não é provável que haja conflito militar, mas não pode ser descartada”.
Nielsen foi acompanhando em coletiva de imprensa em Nuuk, na ilha, pelo ex-primeiro-ministro Mute B. Egede, que também afirmou que a população deve se preparar para qualquer evento, e inclusive estocar comida para cinco dias. “Nós devemos nos preparar para todas as coisas que podem acontecer”, disse Egede.
O premiê chamou as ameaças publicadas por Trump nas redes sociais de desrespeitosas, e ambos reforçaram que a ilha faz parte da OTAN, e que uma invasão resultaria em consequências além do território.
As tropas de outras sete nações do grupo estão no território. A resposta, dada em coletiva e reproduzida pela revista americana Forbes, veio em momento que a Groenlândia é um dos focos do Fórum Econômico de Davos. O presidente Donald Trump já reforçou por diversas vezes o desejo de tomar o território.
Ameaças de Trump
No sábado (17), Trump ameaçou taxar países europeus que se opuserem à anexação do território. Em um post na sua rede social, a Truth Social, o republicano afirmou que seus planos de tomar a ilha “não tem mais volta”.
Trump disse que as tarifas sobre as mercadorias de oito países europeus – como forma de pressionar por um acordo para comprar a Groenlândia – entrariam em vigor no dia 1º de fevereiro. Inicialmente, o valor será de 10%. A partir do dia 1º de junho, caso não haja avanços nas negociações, devem subir para 25%.
A medida afeta diretamente países como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia
Os ataques também alcançaram outros patamares. No domingo, Trump disse em uma carta ao primeiro-ministro da Noruega “não se sentir mais obrigado a pensar apenas na paz” por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, de acordo com a agência de notícias Reuters.
“Caro Jonas: dado que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter parado mais de 8 guerras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz – embora ela continue sendo predominante -, e agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América”, afirmou Trump na carta enviada ao premiê norueguês, Jonas Gahr Støre.
Ainda no domingo, 18, o mandatário afirmou voltou a pressionar a Dinamarca, alegando que o país europeu falhou em conter a influência russa sobre a Groenlândia. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que “chegou a hora” de resolver a questão, “e isso será feito!!!”, completou.
Na publicação, o presidente afirma que a Otan vem alertando há duas décadas sobre a necessidade de reduzir a presença russa na região, mas o governo dinamarquês “não fez nada” para enfrentar o problema. O republicano tem defendido abertamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos.
Trump, publicou também nesta terça imagens geradas por inteligência artificial (IA) em suas redes sociais que representam simbolicamente a Groenlândia como território americano e mostram o mapa dos Estados Unidos ampliado para incluir também Canadá e Venezuela. As publicações foram feitas na plataforma Truth Social.
Em uma das imagens, Trump surge em uma paisagem ártica fincando a bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia, ao lado de seu vice-presidente, J.D. Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio. Ao lado, uma placa fictícia diz: “Greenland — US Territory Est. 2026” (Groenlândia — território dos EUA estabelecido em 2026).
Outra montagem mostra o presidente no Salão Oval reunido com líderes europeus, com um mapa ao fundo no qual Groenlândia, Canadá e Venezuela aparecem pintados com as cores da bandeira americana.
As imagens, embora geradas artificialmente, surgem em meio a uma pressão contínua de Trump para que os EUA assumam maior controle estratégico sobre a Groenlândia, um vasto território ártico que hoje é parte da Dinamarca. Trump defende que o controle da ilha é essencial para a segurança nacional — um ponto que tem gerado grande reação internacional.
A investida dos EUA por maior influência na Groenlândia tem provocado tensões diplomáticas sem precedentes com aliados europeus, incluindo discussões sobre tarifas e retaliações econômicas. A União Europeia e a Dinamarca têm rejeitado veementemente a perspectiva de uma transferência de soberania, e líderes do território afirmam que não aceitam sua anexação sob qualquer circunstância.
Presença da OTAN
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta terça-feira (20) que a solução para a segurança da Groenlândia poderia ser uma presença permanente da Otan, nos moldes da que existe nos países bálticos, e disse que foi exatamente isso que seu governo solicitou à aliança na véspera.
“O que propusemos por meio da Otan é uma presença mais permanente na Groenlândia e em seu entorno”, revelou Frederiksen em declarações reproduzidas pela agência de notícias “Ritzau”, após participar de uma sessão de controle parlamentar em Copenhague.
*com informações da EFE e do Estadão Conteúdo
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